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Doença de Chagas

Definição

É a infecção parasitária causada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi. Esta antropozoonose é também chamada, menos popularmente como Tripanossomíase americana. Reconhecida há mais de um século, a Doença de Chagas acomete, principalmente, populações negligenciadas, sendo considerada uma das enfermidades de maior impacto global em número de casos. A doença apresenta curso clínico bifásico, aguda e crônica, sendo que a fase aguda, muitas vezes sem sintomas, pode evoluir para fase crônica. Por sua vez, a fase crônica, que pode se manifestar nas formas indeterminada (assintomática), cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva. Em diferentes regiões do país, o vetor é conhecido como bicho-barbeiro (conhecido popularmente em algumas regiões como conhecidos como barbeiro, chupão, procotó ou bicudo). A transmissão envolve o contágio da pele e mucosas por meio das fezes e urina contaminadas dos insetos hematófagos da subfamília Triatominae. E ainda, a infecção pode também ocorrer pela transmissão vetorial, oral, transfusional, transplantar, vertical (ou congênita) e acidental.

Sintomas

A gravidade dos casos pode variar conforme a cepa do parasita, a via de transmissão e a presença de outras doenças associadas. Os sintomas também mudam de acordo com a fase da doença, que pode ser aguda ou crônica. Na fase aguda, os principais sintomas incluem: febre prolongada (mais de 7 dias), cefaleia, fraqueza intensa, inchaço nas pernas e no rosto e lesão no local da picada do barbeiro, onde a pele pode ficar endurecida e avermelhada (chagoma). Quando a infecção ocorre pela conjuntiva, podem surgir edema ao redor dos olhos, inflamação ocular e aumento dos gânglios linfáticos próximos à orelha, caracterizando o Sinal de Romanã.

Passada a fase aguda, se não tratada oportunamente, a pessoa pode desenvolver a fase crônica, inicialmente assintomática (forma indeterminada) e com o passar dos anos, pode evoluir para complicações cardíacas (insuficiência cardíaca) e problemas digestivos (megacólon e megaesôfago).

Diagnóstico

Para confirmação laboratorial é necessária a realização de exame de sangue (parasitológico e/ou sorológico, a depender da fase da doença) que é realizado gratuitamente pelo SUS. Na fase aguda: o diagnóstico se baseia ainda, na presença de sinais e sintomas sugestivos da doença e na presença de fatores epidemiológicos compatíveis, como a ocorrência de surtos. 

Na fase crônica: o diagnóstico se baseia nos achados clínicos, na história epidemiológica, porém como parte dos casos não apresenta sintomas, considera-se os seguintes contextos de risco e vulnerabilidade:

  • Ter residido, ou residir, em área com relato de presença de vetor transmissor (barbeiro) da doença de Chagas ou ainda com reservatórios animais (silvestres ou domésticos) com registro de infecção por T. cruzi;
  • Ter residido ou residir em habitação onde possa ter ocorrido o convívio com vetor transmissor (principalmente casas de estuque, taipa, sapê, pau-a-pique, madeira, entre outros modos de construção que permitam a colonização por triatomíneos);
  • Residir ou ser procedente de área com registro de transmissão ativa de T. cruzi ou com histórico epidemiológico sugestivo da ocorrência da transmissão da doença no passado;
  • Ter realizado transfusão de sangue ou hemocomponentes antes de 1992;
  • Ter familiares ou pessoas do convívio habitual ou rede social que tenham diagnóstico de doença de Chagas, em especial mãe e irmão(s).

OBS: As gestantes com os fatores de risco acima, devem receber atenção especial, realizando o exame para doença de Chagas durante o pré-natal.

Tratamento

O tratamento da doença de Chagas é indicado por um médico, após a confirmação da doença. O medicamento (benzonidazol), é fornecido pelo Ministério da Saúde, mediante solicitação das Secretarias Estaduais de Saúde para tratamento da doença aguda, assim que ela for diagnosticada. Na fase crônica, a indicação desse medicamento dependerá da forma clínica, o que deve ser avaliado caso a caso. Aos casos de intolerância ou que não respondam ao tratamento com benzonidazol, disponibiliza-se como alternativa, o nifurtimox, conforme indicações estabelecidas em Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. Independentemente da indicação do tratamento com benzonidazol ou nifurtimox, as pessoas na forma cardíaca e/ou digestiva devem ser acompanhadas e tratadas adequado para as complicações existentes.

Importante

Diante da possibilidade de transmissão vetorial, recomenda-se a captura do barbeiro, e este também deverá ser levado no ato da consulta no serviço de saúde, que providenciará junto às autoridades responsáveis o encaminhamento para análise laboratorial (Na SES-MT, atualmente o laboratório de entomologia, faz parte do LACEN-MT), o que é importante para que sejam realizadas ações no local, até mesmo sobre a possibilidade da aplicação de inseticidas.

Área Técnica

Enfermagem Obstétrica - Joelma Leite da Silva Duarte

Email: gevepi@ses.mt.gov.br

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