Esquistossomose
Definição
A esquistossomose é uma doença infecciosa parasitária provocada por vermes do gênero Shistosoma. Inicialmente assintomática, pode evoluir para formas clínicas extremamente graves. Essa doença também é conhecida pelo nome de barriga d’água.
E podemos adquirir esse verme quando entramos em contato com água de valas, rios, riachos, valas de irrigação, lagoas e outras coleções hídricas de água doce com pouca correnteza ou parada, a trabalho ou lazer, onde existem caramujos infectados liberando larvas (cercarias) do Shistossoma mansoni.
Como os caramujos nós contaminam?
Uma pessoa infectada elimina ovos do verme junto com as fezes, em locais próximo das coleções hídricas. Esses ovos em contato com a água perdem sua casca liberando uma larva ciliada chamada miracídio. Os miracídios penetram no caramujo, onde se multiplicam e, entre quatro a seis semanas, na forma de cercarias, começam a abandoná-lo em grande número, principalmente nos horários das 10 às 16 horas quando o calor e luminosidade são mais intensos. Nesse período, qualquer pessoa, ao entrar em contato com essa água contaminada com cercarias poderá adquirir a esquistossomose. Após sair do caramujo a cercaria pode sobreviver por até 2 dias na água. Caramujos infectados eliminam cercarias durante toda a sua vida (aproximadamente 1 ano).
Como ocorre a doença no nosso corpo?
As cercarias penetram no nosso corpo através da pele. Nos locais de penetração poderá ocorrer intensa coceira (prurido) desencadeando uma dermatite cercariana caracterizada por vermelhidão na pele semelhante às picadas de insetos. Essas manifestações podem durar até 15 dias. Após penetrarem no corpo, as cercarias perdem a cauda e se transformam em esquistossomulos, entram na corrente sanguínea e linfática, até atingir o coração e em seguida os pulmões. Retornam ao coração e através dos vasos sanguíneos chegam ao fígado onde se tornam adultos, acasalam e iniciam a colocação de ovos. Os ovos migram para o intestino sendo eliminado com as fezes. Se os ovos entrarem em contato com coleções hídricas onde exista o caramujo, o ciclo de transmissão reinicia
Sintomas
Na fase aguda (um a dois meses após a penetração da cercaria no corpo): febre, dor de cabeça, falta de apetite, fraqueza, náusea, dores musculares, tosse e diarréia. Em alguns casos o fígado e o baço podem inflamar e aumentar de tamanho. Nas pessoas que contraem os vermes pela primeira vez, os sintomas podem ser mais graves, com aumento do fígado e baço e comprometimento do estado geral.
Após seis meses de infecção há risco de a doença evoluir para a forma crônica. Na forma crônica a diarréia se torna mais constante, alternando-se com prisão de ventre, e pode aparecer sangue nas fezes. Além disso, o paciente pode sentir tonturas, dor de cabeça, sensação de plenitude gástrica, coceira no ânus, palpitações, impotência, emagrecimento e endurecimento do fígado, com aumento de seu volume. Nos casos mais graves da fase crônica o estado geral do paciente piora bastante, com emagrecimento e fraqueza acentuada e aumento do volume do abdômen, conhecido popularmente como barriga d´água.
Prevenção
- A prevenção consiste em evitar o contato com águas onde existam os caramujos hospedeiros intermediários;
- Não evacuar próximo a lagoas, rios, valas e áreas de irrigação;
- Somente defecar em locais onde as fezes sejam destinadas para fossas sépticas ou sistema de tratamento de esgoto ou enterradas, evitando contato com água e contaminação do ambiente;
- Utilizar botas e luvas sempre que o trabalho exigir contato com valas, lagoas, córregos ou áreas de irrigação.
Importante: A falta de destino adequado das fezes humanas em fossas sépticas e/ou tratamento do esgoto, o hábito de defecar ao ar livre próximo de coleções hídricas onde tenham o caramujo, hospedeiro intermediário, são os principais fatores para a contaminação dos caramujos e transmissão da doença.
Diagnóstico diferencial
A esquistossomose pode ser confundida com diversas doenças, em função das diferentes manifestações que ocorrem durante sua evolução.
- Dermatite cercariana: pode ser confundida com doenças exantemáticas, como dermatite por migração de larvas de helmintos (Ancylostoma duodenale, Necator americanus, Strongyloides stercoralis, Ancilostoma brasiliensis), por produtos químicos lançados nas coleções hídricas ou, ainda, por cercárias de parasitas de aves.
- Esquistossomose aguda: o diagnóstico diferencial deve ser feito com outras doenças infecciosas agudas, tais como febre tifóide, malária, hepatites virais anictéricas A e B, estrongiloidíase, amebíase, mononucleose, tuberculose miliar e ancilostomíase aguda, brucelose e doença de Chagas aguda.
- Esquistossomose crônica: nessa fase, a doença pode ser confundida com outras parasitoses intestinais, como amebíase, estrongiloidíase, giardíase, além de outras doenças do aparelho digestivo, como as afecções que cursam com hepatoesplenomegalia: calazar ou leishmaniose visceral, leucemia, linfomas, hepatoma, salmonelose prolongada, forma hiperreativa da malária (esplenomegalia tropical) e cirrose hepática (BRASIL, 2008)
Tratamento
O medicamento específico preconizado pelo Ministério da Saúde (MS) para o tratamento é o praziquantel. Este medicamento integra o Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica, sendo o único fármaco disponível e distribuído gratuitamente pelo MS aos estados e aos municípios.
Área Técnica
Enfermagem Obstétrica - Joelma Leite da Silva Duarte
Email: gevepi@ses.mt.gov.br


